QUANTOS CAFÉS EU POSSO TOMAR DOUTOR? INDIVIDUALIDADE BIOQUÍMICA NÃO HÁ UM MODELO GERAL

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Muitas vezes nos deparamos com indivíduos que consomem inúmeras xícaras de café ao longo da tarde e não relatam nenhuma dificuldade em dormir, por exemplo.  No entanto, existem pessoas que ao consumirem apenas uma xícara, apresentam um quadro de insônia. Porque será que apresentamos sintomatologias tão distintas em relação ao consumo do mesmo alimento? Este é o foco de estudo da nutrigenômica.

Em termos simples, a nutrigenômica estuda a interação dos alimentos com nossos genes. Questões como “quanto de cada alimento cada indivíduo deve consumir?”, ou, “quais são os efeitos biológicos dos suplementos?”. O Dr. Ahmed El-Sohemy, um dos maiores pesquisadores na área de nutrigenômica, explica que há duas maneiras de se responder tais questões.

A primeira é avaliando as variações mais comuns que existem no genoma humano, as quais explicam as diferentes respostas metabólicas provenientes da ingestão de cada alimento. Estas variações genéticas explicam por que determinados indivíduos são capazes de consumir uma dieta com alto teor de gordura e não apresentar níveis alterados de colesterol, por exemplo. Esta linha de pesquisa nos auxilia a compreender por que cada organismo responde de maneira diferente frente à ingestão do mesmo alimento. A segunda maneira é estudando como os compostos bioativos presentes nos alimentos são capazes de “ativar” ou “desativar” genes responsáveis por importantes processos metabólicos e fisiológicos no nosso organismo. Diversas pesquisas foram feitas comprovando que há uma substância nos brócolis, por exemplo, que ativa alguns genes específicos que auxiliam no processo de desintoxicar o corpo de compostos químicos nocivos à saúde.

Nossos genes podem nos fazer responder de maneiras completamente diferentes frente ao consumo de um determinado nutriente oriundo da dieta ou suplemento. Alguns genes podem afetar o metabolismo, absorção e distribuição destes nutrientes. Considerando o exemplo dos brócolis, 20% das pessoas não apresentam o gene que é ativado pelo composto bioativo nele presente, portanto, não desfrutam do seu processo de desintoxicação, mas podem, por exemplo, se beneficiar de seu efeito antioxidante.

A compreensão destas possíveis variações pode nos ajudar a entender alguns aspectos importantes. Primeiro, a ocorrência de inconsistências presentes em diversos estudos científicos que pesquisaram a relação entre o consumo de alimentos, suplementos e compostos bioativos com a incidência de determinadas doenças, sem considerar o aspecto genético.  Segundo, pode nos auxiliar a esclarecer quais alimentos e suas quantidades um indivíduo deve consumir, respeitando seu perfil genético.

Uma pesquisa publicada no Journal of the American Medical Association, pelo Dr. El-Sohemy, demonstrou que em alguns indivíduos, o consumo de cafeína aumentou o risco de doenças cardíacas, mas em outras, a cafeína diminuiu este mesmo risco. Tudo isso devido a variações genéticas. O médico explica que os indivíduos que apresentam a versão mais “lenta” do gene CYP1A2 (responsável pelo metabolismo de cafeína no fígado), têm um risco aumentado de doenças cardíacas com o aumento do consumo de cafeína. Em contrapartida, os que apresentam a versão mais “rápida” deste mesmo gene, têm uma menor chance de apresentar doenças cardíacas com o aumento do consumo da cafeína. A razão pela qual os portadores da versão “rápida” do gene podem se beneficiar é porque são capazes de metabolizar a cafeína mais rapidamente, eliminando-a e preservando seus benefícios antioxidantes. É a presença dos antioxidantes que pode ter algum efeito cardioprotetor, e não a cafeína propriamente dita.

Com isso, recomenda-se realizar um exame de perfil genético para obter informações mais individualizadas a respeito dos alimentos que cada indivíduo deve ou não consumir. Assim, cada um terá uma relação mais respeitosa com seu organismo, dando-lhe o combustível correto para que ele trabalhe com toda eficiência.

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